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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Pandemia de Lixo

De fato, o isolamento social consiste em um denso processo de adaptação. Além das caminhadas do quarto ao sofá e do sofá à cozinha, existe muito tempo para se pensar e olhar para dentro de nós mesmos. Tarefa difícil, porém proveitosa, podendo provocar dentre as paredes de casa mudanças diárias que, talvez, nos acompanharão no mundo pós-pandêmico.

sustentabilidade

Você, com certeza, já escutou o tal papo sobre sustentabilidade. O ano de 2019, foi recheado de discussões pertinentes em prol da importância da preservação ambiental. Mas as ideias de sustentabilidade, obviamente, não nasceram em 2019 e nem foram deixadas por lá. Elas continuam, afinal, aquela ideia distante da sofrência humana devido ao uso irracional dos recursos naturais deixou de ser apenas o enredo de uma ficção qualquer.

Certamente construir uma sociedade sustentável não é tarefa fácil, e a transição abrupta para tal dificilmente acontecerá de um dia para o outro. No entanto, ao olharmos pela janela, ansiosos para o dia de sair para as ruas novamente, não fará mal à cabeça em repensar nossos atos dentro de casa. “Passos de formiga” são necessários em todos os processos da vida, e na sustentabilidade não é diferente.

Uma das principais mudanças cujo o cenário da quarentena proporcionou foi a migração do lixo das ruas para dentro de casa. A geração de resíduos domiciliares cresceu mais de 10% desde que o isolamento social passou a ter mais adesão e, de acordo com a ABRELPE (Associação Brasileira de empresas de limpeza pública e resíduos especiais), o crescimento tende a chegar entre 15 a 20% a mais.Naturalmente, o lixo invisível produzido nos ambientes de trabalho, nas faculdades e no caminho do dia a dia está tomando forma dentro de casa. O aumento de deliverys, segundo empresas especializadas, não atingiu somente o setor dos restaurantes e passou a funcionar para diversos fins, como farmácias, livros, entre outros itens encomendados. Simultaneamente, as casas passaram a ser entupidas de embalagens de papelão e  plásticas de monte, até mesmo pelo fato de se procurar por uma proteção maior ao produto.

Ainda que, a situação por inteiro pareça um tanto quanto sufocante, a presença dessa quantia elevada de lixo dentro de nossas casas pode nos ajudar a repensar nossos hábitos consumistas. Qual o tamanho do meu lixo? Ele é realmente necessário?

No início da pandemia, houve comportamentos cômicos, embora trágicos, como o da “corrida do papel higiênico” pelos mercados, que são capazes de nos mostrar como a  falta do consumo consciente pode impactar no convívio em sociedade. Obviamente, parte disso ocorreu pela falta de previsões e medidas de controle no início da quarentena, porém, não há como negar a influência do consumismo desenfreado presente nesta situação.


Vale lembrar também que, desde o agravamento da situação do vírus no Brasil, aconteceu a suspensão das atividades promovidas pelos catadores de lixo nas ruas. A coleta seletiva em São Paulo, em função de preservar a saúde dos catadores, aderiu à suspensão temporária de suas atividades durante o isolamento social. Sendo tal atividade um dos pilares da sustentabilidade na medida que, por meio da separação dos resíduos recicláveis, diminuímos impactos nocivos ao meio ambiente, sua paralisação promove uma atenção individual do lixo produzido tornando-se igualmente importante.

Pensando que, devido à suspensão das atividades da coleta muito do lixo produzido durante o isolamento poderá ser destinado aos lixões a céu aberto, ainda não totalmente extintos, embora existam leis referentes à desativação total deles, os resíduos recicláveis podem ser guardados durante um tempo dentro de casa até uma previsão de volta da coleta seletiva. Plásticos, papéis e papelões devidamente higienizados e dobrados, podem repousar um tempinho dentro de nossas casas para que não contribuam ao funcionamento indevido dos lixões, pois estes são responsáveis pela geração de 6 milhões de toneladas de gases do efeito estufa anualmente.


reciclar

De fato, são tempos turbulentos que requerem de todos uma grande adaptação, mas podemos utilizá-lo a fim de redescobrir nossas funções ecossistêmicas também. De dentro de nosso aconchego, podemos procurar por produtos com menos embalagens e, para aqueles sem a confirmação de contágio com o novo vírus, a recomendação é que continue fazendo a separação dos materiais para a coleta seletiva dentro de casa. Lembrando que máscaras e luvas já usadas devem ser descartadas no lixo comum.

Com um olhar mais cuidadoso para o ambiente interior e exterior, soluções como um planejamento alimentar e de compras a serem priorizadas são maneiras eficientes de se adequar a um consumo mais consciente

Talvez, nos reeducando pouco a pouco dentro de casa, estaremos mais conscientes para quando a vez de pisar na grama novamente chegar. Como dito por Gretha Thunberg, ativista ambiental em uma entrevista para a revista New Scientist, “”a crise ambiental não vai embora” e, com certeza, não é agora que ela deve ser esquecida.


segunda-feira, 15 de junho de 2020

Cartilha ensina como aproveitar todo o alimento


Docentes e nutricionistas da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Representante do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) lançaram a cartilha “Nada se perde, tudo se cozinha”, sobre o aproveitamento de alimentos.

Com o material, os autores pretendem facilitar o acesso a informação, “orientado pelas necessidades dos camponeses e pela relação entre saberes populares e conhecimento técnico-científico”, e garantir a soberania e segurança alimentar e nutricional.

A cartilha ensina boas práticas de fabricação, a técnica de branqueamento, receitas à base de frutas, hortaliças e de leite, ainda apresenta produtos elaborados a partir da gordura do leite e rotulagem de alimentos.

A lista de alimentos inclui abacate, banana, goiaba, abóbora, manga, abobrinha e  berinjela. Entre as receitas estão: rocambole de batata inglesa, sequilho de batata doce, polvilho doce, bolo de aipim, lasanha de abobrinha e doce de mamão verde com coco.

A UFBA e o MPA afirmam que, com a pandemia de Covid-19, surgiu a necessidade de processar os alimentos para diversificar seus usos, aumentar seu tempo de validade e ampliar a exploração do seu potencial de venda.

Clique aqui para fazer o download da cartilha.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Medidas simples ajudam a manter o coronavírus longe dos alimentos


Alimentos

A equipe do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) da Universidade de São Paulo (USP) divulgou um comunicado com o objetivo de esclarecer eventuais dúvidas da população sobre o papel dos alimentos na transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2). O texto é assinado pelos professores Bernadette Dora Gombossy de Melo FrancoMariza Landgraf e Uelinton Pinto, todos especialistas em microbiologia de alimentos.

Importante ressaltar que o vírus não é um ser vivo e, portanto, não é capaz de se multiplicar nos alimentos, como fazem as bactérias. Vírus precisam infectar células para se replicar. O alimento ou sua embalagem são apenas veículos, ou seja, podem ter a superfície contaminada caso tenham sido manipulados por alguém com a doença, assim como uma maçaneta de porta ou qualquer outro objeto. Basta higienizar que não há problema”, explica Franco à Agência FAPESP.

Como explicam os pesquisadores, a transmissão do novo coronavírus ocorre principalmente por meio de gotículas e secreções que saem do trato respiratório superior (boca e nariz) de uma pessoa infectada (com ou sem sintomas) e atingem as mucosas (olhos, nariz e boca) de outros indivíduos. Pode ocorrer também pelo contato das mãos com superfícies contaminadas com o vírus, que pode ser transferido para os olhos, nariz e boca.

Nos surtos anteriores causados por coronavírus (SARS-CoV e MERS-CoV) não houve transmissão pelos alimentos e, segundo os cientistas do FoRC, não há razão para pensar que isso venha a acontecer no caso da COVID-19. “A ciência ainda não conseguiu determinar a origem do SARS-CoV-2, mas há cenários sugerindo que o vírus tenha se espalhado a partir de hospedeiros animais, como o morcego e o pangolim, talvez devido ao contato com esses animais ou mesmo sua ingestão. Mas não há qualquer evidência científica de que os animais de corte para consumo humano, como bovinos, aves ou suínos, sejam portadores ou tenham a doença causada pelo novo coronavírus. Mesmo assim, a Organização Mundial da Saúde recomenda que o consumo de carnes cruas ou malprocessadas seja evitado 

Medidas de proteção

A equipe do FoRC elencou medidas simples que podem ajudar a manter o SARS-CoV-2 longe da cozinha e da comida. Higienizar as mãos antes de comer ou manusear qualquer alimento é fundamental.

Em tempo de COVID-19, as recomendações de higiene e limpeza são as mesmas de sempre e devem ser seguidas criteriosamente. Bancadas, pias, louças e demais utensílios devem estar sempre limpos e secos, sem resíduos de alimentos. Geladeiras, freezers, fornos, fogão e demais eletrodomésticos devem ser limpos e higienizados com regularidade, com água, sabão e sanitizantes ou água sanitária. O mesmo vale para as paredes, chão e teto. Esses procedimentos evitam a presença dos microrganismos indesejáveis na cozinha, inclusive o coronavírus, e evitam a contaminação cruzada, ou seja, transferência de microrganismos de alimentos ou superfícies contaminados para alimentos não contaminados”, diz o texto.

As informações sobre o tempo de persistência do SARS-CoV-2 em diferentes superfícies são ainda controversas. Alguns estudos científicos com outros coronavírus indicam sua permanência em metal, plástico e vidro por até nove dias, enquanto outros estudos indicam tempos menores: 24 hora em papelão e três dias em metal ou plástico. No entanto, esses vírus são inativados em cerca de um minuto pelo contato com álcool etílico 62-71%, água oxigenada 0,5% ou hipoclorito de sódio 0,1%.

Para alimentos que serão consumidos crus, como os vegetais folhosos, a recomendação do FoRC é remover as folhas externas ou danificadas, separar as folhas uma a uma, lavá-las com água tratada abundante e deixá-las em imersão, por 15 minutos, em uma solução de água sanitária (uma colher de sopa diluída em um litro de água), lavando-as depois com água tratada corrente novamente. Para vegetais não folhosos e frutas, mesmo as que serão consumidas sem a casca, o procedimento deve ser o mesmo. Os produtos comerciais à base de cloro para desinfecção de vegetais são eficientes para eliminar a contaminação microbiana e prevenir a contaminação cruzada. Esses procedimentos são eficientes contra bactérias e vírus. Não usar água sanitária que contenha outras substâncias na sua composição, pois podem ser tóxicas para o organismo humano. “O vinagre para fins culinários não tem efeito sanitizante”, esclarece o grupo.

O tratamento dos alimentos pelo calor, como cozimento e fritura, quando feito corretamente, elimina os vírus caso estejam contaminando o produto cru. No entanto, é preciso evitar uma nova contaminação após o aquecimento, principalmente se o alimento não for aquecido novamente antes de ser consumido. É importante também não deixar alimentos cozidos em contato com alimentos crus, para evitar a contaminação cruzada.

O consumo de refeições prontas entregues em domicílio, retiradas em balcões de atendimento ou por drive-thru requer cuidados extras. Recomenda-se optar por empresas de confiança e fazer a encomenda diretamente, por telefone ou aplicativos, evitando a interferência de intermediários desconhecidos. Sempre que possível, optar por embalagens de papelão, pois acredita-se que o vírus resiste por menos tempo em papel do que em plástico ou alumínio. Deve ser feita a desinfecção das embalagens antes de abri-las, com água e sabão ou álcool em gel. Não consumir produtos com embalagem violada.

Os pesquisadores recomendam ainda evitar o contato pessoal com o entregador das refeições. As empresas de entregas a domicílio estão recomendando que os entregadores higienizem suas mãos com álcool em gel, um cuidado que diminui o risco, mas não o reduz a zero. O pagamento deve ser preferencialmente feito remotamente, por aplicativo. Deve-se evitar manusear dinheiro e ter cautela com uso de máquinas de cartão de crédito, que podem estar contaminadas, e higienizar as mãos ao finalizar.

Ao comprar produtos alimentícios – seja nos pontos de venda ou on-line – higienizar todas as embalagens e superfícies antes de guardá-los na geladeira ou na despensa e lavar muito bem as mãos ao terminar.

Mais informações estão disponíveis nos sites www.usp.br/forc e www.alimentossemmitos.com.br.

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